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Biblioteca registra queda no número de empréstimos

Equipe de bibliotecárias do município contabilizam diminuição de 30% no número de empréstimos de livros entre 2010 e 2015. O total por ano reduziu de 22,8 mil para 16 mil. Especialistas comentam sobre o advento da internet e alertam para necessidade de manter o hábito da leitura

A procura por literatura diversa no principal espaço público de leitura diminui a cada ano. Mesmo com a aquisição frequente de novas obras, em 2015 o número de empréstimos na Biblioteca Municipal João Frederico Schaan caiu 6,8 mil em relação a 2010.

Pesquisas nacionais mostram que essa queda é verificada em todo o país, e reflete também na baixa média de livros lidos anualmente pelos brasileiros.

O espaço localizado entre a prefeitura e a Casa de Cultura, na rua Júlio de Castilhos, tem 13,3 mil leitores cadastrados. Desses, 1,8 mil foram listados nos últimos cinco anos, conforme estatísticas apresentadas pela bibliotecária responsável, Carine Maritan. No mesmo período, informa ela, o governo adquiriu 6,8 mil livros.

Carine considera normal essa diminuição na procura pelas obras literárias. “Acredito que a queda do número de empréstimo é normal devido ao surgimento de novas formas de leitura. O acesso a livros digitais está cada fez mais fácil”, observa a bibliotecária. “Os textos contidos em obras impressas saíram dos limites físicos da biblioteca, agora eles estão em toda parte”, acrescenta.

A responsável pelo espaço também credita o fato à redução nos valores cobrados pelos livros nas livrarias. “O preço tem ficado mais barato a cada ano. O mercado editorial está produzindo livros com valor mais baixo, aumentando a oferta de obras econômicas, como as de formato de bolso. Isso faz com que as pessoas adquiram obras com mais facilidade.”

O acervo da biblioteca é composto por 35,2 mil livros cadastrados. No local, há computadores para pesquisas na internet, acervos dos principais jornais da região – além dos principais periódicos atuais à disposição para leitura –, e arquivos de revistas nacionais. Também é possível verificar documentos e atas de reuniões do Arquivo Histórico do município, localizado no mesmo prédio.

A mais assídua
A técnica em Enfermagem aposentada, Leni Clarinda Brust, 65, foi atropelada por uma motocicleta há sete anos. Passou por cirurgias e passou boa parte do tempo acamada. Foram os livros que trouxeram a tranquilidade necessária para sua recuperação. “Li mais de dois mil livros em sete anos. E passo o hábito para filhos e netos”, conta.

Mesmo após a recuperação, o hábito – que já era uma realidade antes do acidente – persistiu. De janeiro de 2015 até hoje, Leni retirou 150 livros só na biblioteca de Lajeado. “Não assisto televisão, acho uma perda de tempo. Gosto mesmo de sentar na cama, com uma xícara de café e um bom livro. Sem romance água com açúcar. Gosto da realidade, de mistérios, daquilo que me faz pensar.”

Pesquisa aponta menos leitores
Secretário de Cultura (Secultur), o professor, David Orling, atribui a diminuição dos empréstimos na biblioteca ao crescimento de novas plataformas de mídias digitais. “Oferecem diversas opções de leitura que não as tradicionais literaturas. O número de leitores de livros tem diminuído em todos os lugares, como, em bibliotecas de escolas, de universidades, particulares e públicas.”

Ele cita como exemplo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, encomendada pela Fundação Pró-Livro e pelo Ibope Inteligência. “Mostram que os brasileiros estão cada vez mais trocando o hábito de ler jornais, revistas, livros e textos na internet por atividades como ver televisão, assistir a filmes em DVD, reunir-se com amigos e família e navegar na rede de computadores por diversão.”

Ainda de acordo com o secretário, tal pesquisa revela uma queda no número de leitores no país. Em 2007, eram 95,6 milhões. Montante que diminuiu para 88,2 milhões em 2011. Esses dados mostram uma diminuição de 9,1% no universo de leitores, enquanto a população brasileira cresceu 2,9% neste mesmo período.

Orling observa ainda para outra pesquisa, essa realizada pela Fecomércio, do Rio de Janeiro. O estudo, feito para entender os hábitos culturais da população, mostra nova baixa no número de pessoas que leem obras literárias no país. Caiu de 35% para 30% dos entrevistados. Mesmo assim, comenta o secretário, os livros continuam sendo a atividade mais popular no Brasil.

Programas de incentivo
Sobre a realidade da biblioteca municipal, Orling afirma que o Executivo trabalha na renovação do acervo e anuncia a criação de programas de incentivo à leitura sem a necessidade de ir até a biblioteca pública para “pegar” um livro. Uma dessas medidas será chamada de Trocando Livros.

“Em vários locais credenciados, as pessoas poderão trocar livros. Deixarão no local um que tenham lido, e pegarão outro que estará à disposição. O projeto será lançado em breve, e permitirá a troca de livros em ambientes como cafés, etc.” Ele não soube precisar a data de lançamento de tal programa.

“Podemos esperar por dias melhores”
A professora do curso de Letras da Univates, Rosiane Almeida Souza Haetinger, prefere não analisar especificamente a situação da biblioteca de Lajeado. “Seria interessante saber, para se apontar algumas conclusões, que público mais retirava livros, qual deixou de fazer esse tipo de empréstimo, as razões para esse comportamento, entre outros.”

Ela também cita a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, que aponta que as pessoas leem mais quando estão na idade escolar, diminuindo essa atividade quando a idade avança. “Nesse sentido, cabe à escola questionar se está realmente possibilitando o letramento literário, que é quando a leitura torna-se uma prática social, ou seja, o indivíduo lê para si, para além de uma atividade escolar.”

Apesar dos números desfavoráveis, cuja consequência, para ela, passa pelo fato de os jovens estarem lendo mais no computador ou em e-readers, ela mantém esperança de dias melhores. “Lembro do depoimento de um dos organizadores da Bienal do Livro, no Rio de Janeiro. Em uma entrevista, disse que o maior público do evento era de jovens e crianças. Acho que podemos esperar por dias melhores, afinal, como disse Monteiro Lobato, ‘Um país se faz com homens e livros’.”

10 livros mais retirados desde janeiro de 2015
•Cinquenta Tons de Cinza (Erika L. James)
•Harry Potter e a Pedra Filosofal (Joanne K. Rowling)
•Um Certo Verão na Sicília (Marlena De Blasi)
•Cinquenta Tons de Liberdade (Erika L. James)
•Cinquenta Tons mais Escuros (Erika L. James)
•Quando Você Voltar (Kristain Hannah)
•Como Eu Era antes de Você (Jojo Moyes)
•O Cirurgião (Tess Gerritsen)
•Apenas um Dia (Gayle Forman)
•Marina (Carlos Ruiz Zafón)

 

Publicado em A Hora 07/05/2016

 

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